Veja, abaixo, mais uma crônica chegada ao blog Massapê Indo e Voltando de autoria do amigo Ferreirinha.
UMA FÁBULA POLÍTICO-PARTIDÁRIA
Diz uma lenda que nos
primórdios, os animais falavam. Uma dia, eles decidiram eleger o seu
rei. E logo começaram a confabular e a viver uma vida agitada, com
manobras, recados, mensagens cifradas, dilemas, traições, promessas
mirabolantes, intrigas, apostas, palpites, tapinha nas costas e muita
conversa ao pé do ouvido. Os bichos promoviam um tumulto formidável
entre si. Tucanos em revoada – “Do Povo para o Povo”, unidos,
saiam à procura de votos em caravana eleitoral, prometendo mundos e
fundos ante ao risco iminente de perder o poder; Paparós discursavam
fervorosos noite a dentro na tentativa de conquistar mais e mais
eleitores; filhotes de Cabeças-de-Fita, envergonhados com a sua
genética e origem, se faziam passar por Canários da Terra com
plumagem 100% amarela, (onde já se viu isso?); Sanhaços se reuniam
para por em prática seu plano secreto e Cabeças-de-Fita, com – “A
Força do Novo Tempo”, realizavam comícios fantásticos, por amor
e em defesa do seu habitat natural – a Serra Verde do Barro
Vermelho. Até um simpático e inflável Sapo-Cururu, que há duas
décadas desfrutava de sombra e água fresca, coberto de razão,
espertamente demarcou e defendeu (sem unhas e dentes), seu território
– o grande lago azul, só no álibi, pois, língua ele tinha de
sobra. E não é que até o mar se dividiu ao meio, que, agitado,
formava ondas gigantescas de 40, 45 metros de altura, com a força
fenomenal de um tsunami, por intermédio de duas correntes marítimas
antagônicas e distintas: uma em direção ao norte e a outra ao sul,
nas cores vermelha e azul. Era o retrato do tempo soprado pelo vento:
“A
Força
Do Povo, Para o Povo do
Novo Tempo”.
Mas tudo isso transcorria, diga-se de passagem, na mais perfeita
harmonia e ordem social. Além das plataformas e planos de governo,
todas as qualidades individuais dos jovens candidatos eram postas à
toda prova: o bico blindado do Tucano, o canto sublime do Paparós, o
voo misterioso do Sanhaço e a beleza exuberante do Cabeça-de-Fita.
Torciam para este último, de outra dimensão, várias espécies de
animais que já se debandaram rumo ao céu, dentre as quais: Leão,
Pinto, Gata, Gatim e Galinha D’água. E passeando por esse túnel
do tempo, o espírito da selva pediu uma breve pausa para escala e
conexão, e apresentou duas espécimes de aves: O Tucano,
ave de médio porte que habita os pantanais do Mato Grosso e Mato
Grosso do Sul, bem como, parte da Mata Atlântica, é o mascote
oficial e nacional do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira),
que representa o atual poder situacionista em Massapê. Foi
idealizado quando da fundação do partido, em 25 de junho 1988, por
Mario Covas. Em estilo caricaturista, predominam as cores azul e
amarela. O Cabeça-de-Fita
- mascote municipal de uma liderança política oposicionista de
Massapê-CE, em estilo natural, prevalece pelas cores vermelha, preta
e branca. O pássaro-símbolo, de pequeno porte, faz parte da fauna
do semi-árido nordestino. O mascote surgiu de um autor anônimo,
fruto da vã filosofia popular nas eleições de 1996, ocasião que o
técno-eletrônico José Maria Rocha (que já pulou de galho e ganhou
nova plumagem, noutro verão), sem nenhuma pretensão, decidiu
participar de uma passeata promovida pelo seu então candidato a
prefeito, o tradicional líder político Jacques Albuquerque, com uma
bandeira afixada no guidom da sua bicicleta, e nela estampada a
figura do referido pássaro. Alguém do povo, deveras inspirado, no
meio daquela esplêndida multidão, esbravejou: “Lá
vem os Cabeças-de-Fita”.
A alcunha, de boca em boca, ganhou dimensões inimagináveis pelo os
quatro cantos da cidade e não demorou muito, pois, já no dia
seguinte, o povo, ainda no afã do clamor, comentava um só assunto:
“A
passeata dos Cabeças-de-Fita foi um sucesso!”
É bom que se diga que, ambos mascotes, felizmente, não estão na
lista de animais ameaçados de extinção; mas com certeza, ao final
da temporada oficial de caça 2012, sobreviverá apenas um, que será
declarado o grande vencedor. A bicharada merece o rei que elegeu.
Do livro Crônicas
Alegres & Algo Mais (392 páginas) - Autor: Ferreirinha.