Prezado
amigo Aldenis, em clima de Semana Santa, para os leitores do seu
site, Vitória e Felicidade. Ferreirinha.
Na campanha eleitoral de 1988 para prefeito de Massapê, Jacques Albuquerque prometia resolver os problemas cotidianos do seu povo, como de fato, uma vez eleito para o quadriênio 1989/1992, resolveu, evidentemente que, na medida do possível. De formação humanística e dada à fama de católico fervoroso, não a toa que sua estratégia e slogan da campanha eleitoral era: “O que importa é o ser humano” escrito no contorno de um coração, nos induzia crer no adágio popular que remonta séculos: “Pouco com Deus é muito, e muito sem Deus é nada”. E como que, antevendo uma passagem bíblica do “Bom Samaritano”, com visão futurística, num gesto louvável, o carismático político desenvolveu políticas públicas assistencialistas, no sentido de amenizar o sofrimento dos mais necessitados – aqueles com renda mensal familiar per capita abaixo da linha da pobreza, segundo o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano. Em outras palavras, “esmolas”. As mesmas esmolas que mais tardiamente o Governo Federal implantou no país, tais como, Bolsa Família, Bolsa Escola, Vale Gás, etc. e etc. Tudo legalizado, de conformidade com uma lei municipal de autoria do próprio Poder Executivo, aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal dos Vereadores. Ressalte-se que, obras de infraestrutura de extrema relevância, também foram executadas durante o mandato do ilustre prefeito, como por exemplo, o esgoto e saneamento básico no centro da nossa cidade. E, diante de tanta pobreza franciscana (que o diga São Francisco de Assis), o Paço Municipal mais parecia uma igreja, ou melhor, um centro de ajuda humanitária - uma espécie de Cruz Vermelha, pois eram comuns filas indianas se formarem para o munícipe falar com o prefeito, que, diga-se de passagem, pacientemente atendia um por um. Não só atendia como dava, ou apontava uma solução. Diferentemente do legendário herói inglês Robin Hood, aquele que tirava da nobreza para distribuir aos pobres, Jacques Albuquerque tira de si próprio. Dar o que tem e o que não tem. O político vibra de prazer quando serve ao próximo, notadamente o mais carente, me fazendo acreditar, que sua personalidade é desvirtuada (para o bem) e foge dos padrões mínimos de normalidade. Certa vez ele retornou à sua residência exibindo a avantajada pança estomacal. É que doara a roupa do próprio corpo a um descamisado. Até Marina – figura folclórica, de conhecido jargão, estendendo a mão, disse: “Eu vim pedir...” Quanto aos pedidos reivindicados, eram dos mais variados possíveis e até impossíveis; eu diria, alguns inusitados, porque não dizer, abusivos, extrapolando os limites da humildade franciscana. Vejamos por amostragem:
-
Um pedia uma dentadura, o outro, uma geladeira; um pedia milheiros de
tijolos, o outro, uma TV; um pedia uma passagem de ônibus para São
Paulo, o outro, uma cesta básica de alimentos; um pedia um jumento,
o outro, uma bicicleta, um pedia dinheiro em espécie, o outro, uma
simples reza para curar um enfermo, e por aí vai. Eleitores de
extrema esquerda (aqueles fanáticos) até os dias atuais afirmam que
o líder político massapeense é um “político canonizado”, em
outras palavras, um “santo vivo”, imaginem o homem, morto.
Deveras, um “São Jacques”. E dizem mais: “É Deus no céu e
Jacques aqui na terra”. Ainda quanto aos pedidos, via de regra,
eram feitos de forma verbal, mas também por escrito, conforme
relatos de populares, que dão conta de um, dotado de extrema
humildade e pobreza franciscanas, com flagrantes agressões ao
vernáculo:
“Voismicê,
Sinhô, Católico, Caridoso, Vitorioso, Prefeito Jaques Albuquerque,
eu e minha famia tamo passando fomi. Com a seca verde, fartô o
dicumer na mesa pros comedozim de rapadura. A nossa casinha de taipa,
cai e não cai. Pra modi qui nois vevi, de teimozo. Assina, seu fiel
servo”.
E, imbuído de um profundo sentimento de justiça social, o saudoso
prefeito concedeu àquela miserável família (como tantas outras),
casa e comida, de conformidade com o poeta popular cearense, Patativa
do Assaré, que certa vez filosofou: “Daí
uma esmola a um homem que é são
(sic), ou
lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.
Quanto ao endereçamento da humilde e penosa carta, que serviu de
inspiração para este modesto literato intitular essa crônica
(reservadas as proporções reduzidas), reporto-me aos idos da pós
idade média, notadamente ao ano 1558, dia 27 de junho – data da
assinatura e entrega das três epístolas referente a décima
Centúria enviada ao rei Henrique II pelo profeta francês
Nostradamus (*14/12/1503 +02/07/1566), a saber:
“Ao
Invencibilíssimo, Poderosíssimo e Cristianíssimo Henrique – Rei
da França II. De Michael Nostradamus – Humilíssimo,
Obedientíssimo, Servidor e Súdito. Vitória e Felicidade”.
Do
livro: Histórias & Causos com Casos & Estórias de Massapê
- Autor: Ferreirinha.
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