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22 de março de 2015

91 ANOS – PARABÉNS, LUIZ NEVES

Luiz Ferreira Neves nasceu em Massapê aos 17 de março de 1924. Desde 2005 adotou a aprazível e hospitaleira Meruoca – terra de monsenhor Nel, como seu segundo torrão natal. Ama esta cidade como se realmente cidadão dela fosse. Filho de humildes agricultores, desde tenra infância, trabalhou na roça e dela dependeu das boas quadras invernosas, para o cultivo da agricultura de subsistência. E por falar em água, a atual crise hídrica que assola o sudeste e parte do nordeste do Brasil, me fez lembrar relatos da famigerada seca nos acuados anos de 1915, conhecida por “Seca do 15”, há exatamente 100 anos, ocasião que a nossa fauna e flora foram quase dizimadas e muitos cearenses passaram fome. O terrível cataclismo serviu de inspiração para a escritora cearense Rachel de Queiroz, publicar em 1930, um romance intitulado “O Quinze”. Alguns conterrâneos mais afoitos, desesperados, fugiram daquela grande seca e arriscaram a sorte na Amazônia, trabalhando no 2º ciclo da borracha – eram os Paroaras. Até os dias atuais, ainda se ouve falar, da pessoa raquítica, de peso abaixo do padrão comum, ser apelidada pela vã filosofia popular de “Seca do 15”. Bem mais recente, em 1958, nossa região enfrentou mais uma castigada seca, e o nosso povo guerreiro, com muito sofrimento, sobreviveu mais uma vez, sem ajuda de políticas públicas de inclusão social, exemplo, o Bolsa Família. Não por menos, atualmente vivenciamos algumas regiões do Brasil, enfrentando grandes estiagens. Em contraponto a tudo isso, lembrei-me de um fato um tanto quanto curioso: ocorrido em janeiro de 2009. O otimista Luiz Luiz capinava seu roçado no Pé da Serra, mais precisamente no sítio Olho D’água do Leandro – de propriedade da família Neves, meio ao sol causticante e sem nuvens derramadeiras, quando foi abordado por um agricultor descrente que disse: Luiz Neves, nesta terra seca se plantar milho, nasce pipoca. E filosofando, tio Luiz respondeu: - Eu estou esperando a Neta de 74. Sem noção de interpretar a metáfora, o colega foi embora e não arriscou o plantio. Um mês após baixou um toró d’água. A Neta de 74 a qual Luiz Neves se referia, é que em 1974 tivemos um grande inverno (a avó); em 1983 outro bom inverno (a mãe) e em 2009 mais outro excelente inverno (a neta). A tão sonhada Neta de 74. É que além de agricultor e benzedeiro, Luiz Neves é considerado um profeta popular. Dia desses sussurrei ao seu ouvido, indagando-o: - Tio Luiz, o senhor previu a Neta de 74 com 100% de acerto. Já não é hora de recebermos a bisneta de 74? Sabe o que ele me respondeu? – Meu sobrinho, por acaso você é cego??? Não vês que a bisneta de 74 chegou já faz mais de mês? E, pelo o que vemos, contrariando as previsões pessimistas da Funceme, ao menos na nossa região, a Bisneta de 74 veio para ficar, resgatando a alegria dos povos do campo e da cidade. E como em todo bom inverno, na ordem natural das coisas, temos o relâmpago seguido do trovão. Em sendo assim, que Deus continue lhe iluminando com o clarão dos relâmpagos e com a energia dos trovões. Com vigor físico invejável e dieta balanceada, sem uso do chá da catuaba, do melaço do amendoim, da gemada do ovo de pata, da tal pílula azul, de energéticos e/ou congêneres, Luiz Neves (viúvo pela 2ª vez), me fez um pedido, que eu não poderia deixar de torná-lo público. Cá entre nós, mais parece anúncio de classificados – sessão relacionamentos: “Procuro esposa entre 18 a 50 anos, interessadas em um relacionamento sério, para casar de véu e grinalda, nesta igreja. As candidatas, falar com Luiz Neves”. Além de pai dedicado e extremoso, vivendo exclusivamente para a família, filhos, netos e bisnetos, a quem legou os mais nobres sentimentos de honradez e amor ao trabalho, os amigos e o povo meruoquense, rendem-lhe homenagens sincera e espontânea, por ocasião da celebração de missa alusiva aos 91 anos de Luiz Neves, nesta histórica e centenária igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, domingo, 22 de março de 2015. 

Ferreirinha é escritor, historiador e presidente da Associação de Desenvolvimento Cultural de Massapê Expedito Galinha D’água – nome fantasia Chitão dos Pobres de Massapê, fundado em julho de 1948, sob o CNPJ n. 21.833.573/0001-85.
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