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23 de agosto de 2013

TÉCNICA ABRE CAMINHO PARA CRIAÇÃO DE ÓVULOS MASCULINOS E ESPERMATOZOIDES FEMININOS

Uma nova pesquisa japonesa sugere ser possível, no futuro, que cientistas desenvolvam células reprodutivas masculinas e femininas do sexo oposto. Em outras palavras, criem espermatozoides de mulheres e óvulos de homens. Katsuhiko Hayashi, da Universidade de Kyoto, publicou uma pesquisa em que células da pele de camundongos foram usadas para criar células-tronco germinativas primordiais (CGP). Estas células — precursoras comuns dos gametas sexuais de ambos os gêneros — foram, então, transformadas em espermatozoides e óvulos.
Embora as técnicas envolvidas ainda estejam no seu início, as possibilidades para a medicina reprodutiva são surpreendentes. Não só a pesquisa de Hayashi e seu orientador Mitinori Saitou poderia permitir que mulheres inférteis tenham filhos ao obter óvulos a partir de suas células da pele, como ela poderia tornar possível que espermatozoides e óvulos sejam produzidos indistintamente.

O método foi testado em camundongos. Em linhas muito gerais, o processo começa com a extração de células-tronco de embriões em estágio inicial e de células somáticas — qualquer outra que não seja gameta ou de embrião. Depois, elas são convertidas em células germinativas primordiais usando “moléculas sinalizadoras”. As CGPs são então transplantadas para ovários e testículos de camundongos vivos para que se desenvolvam. Uma vez amadurecidas, são finalmente extraídas e utilizadas para fertilizar uma outra, in vitro.

A pesquisa inicial foi realizada em outubro do ano passado, e os camundongos que nasceram da experiência demonstraram que a criação de células germinativas tinha sido bem-sucedida. Desde então, cientistas de todo o mundo têm percebido o potencial da pesquisa, e a equipe de Hayashi está envolvida em estudar como o seu trabalho pode ser aplicado em seres humanos.

Em artigo na revista “Scientific American”, David Cyranoski disse que outros pesquisadores têm replicado a produção de CGPs, mas continuam incapazes de produzir qualquer filhote vivo. Os cientistas também têm muitos outros obstáculos a superar, incluindo a “frágil” e “deformada” produção de óvulos.

“Mas”, escreve Cyranoski, “o mais formidável desafio será repetir em seres humanos a pesquisa feita em camundongos”. Isto porque as “moléculas sinalizadoras” usadas para criar as CGPs são muito mais complexas em seres humanos do que em roedores. A pesquisa é dificultada ainda pelo restrito acesso a embriões humanos para experiências.

A equipe japonesa liderada por Saitou e Hayashi está usando embriões de macacos como um trampolim entre as espécies. Em declaração à “Scientific American”, Hayashi prevê que eles poderiam ter sucesso com primatas dentro cinco ou dez anos, com a criação de células germinativas primordiais em seres humanos “pouco tempo depois”.

No entanto, mesmo que o processo seja repetido com sucesso em macacos, ainda haverá diversos obstáculos que podem levar anos para serem superados.

Já se sabe, por exemplo, que células-tronco embrionárias desenvolvidas em laboratório frequentemente adquirem várias mutações genéticas. Os cientistas concordam que a pesquisa é interessante, mas ponderam que serão necessários muitos anos antes que qualquer tratamento viável para a infertilidade fique disponível para uso em medicina.
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