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29 de julho de 2017

ADIAR A VOTAÇÃO É COMO "DEIXAR O PACIENTE EM CENTRO CIRÚRGICO, COM A BARRIGA ABERTA”; AFIRMA PRESIDENTE DA CÂMARA

Em visita a São Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), afirmou, nesta sexta-feira (28), que haverá quórum suficiente no plenário da Casa para votar, na próxima quarta-feira (2), a denúncia contra o presidente da República, Michel Temer (PMDB). Segundo ele, a votação nesta quarta-feira "é a melhor solução" para o País.

 “Na minha opinião, haverá quórum. O Brasil precisa de uma definição para esse assunto. Não se pode, do meu ponto de vista, jogar com um assunto tão grave, tão sério, como uma denúncia oferecida pela PGR [Procuradoria-Geral da República] contra o presidente da República", afirmou Rodrigo Maia . 

De acordo com o presidente da Câmara, a estimativa é de que mais de 480 deputados estejam presentes na votação nesta quarta. Agora, a respeito da posição dos deputados, Maia preferiu não se pronunciar. 

"Nosso papel é votar. Quem quiser, vota sim, quem quiser, vota não. Mas não votar é manter o país parado no momento em que o Brasil vive uma recuperação econômica, mas ainda com muitas dificuldades”, disse ele.
As declarações do presidente da Câmara dos Deputados aconteceram após um almoço dele com o prefeito em exercícios de São Paulo, o vereador Milton Leite (DEM), na sede da prefeitura da capital paulista. O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), está em viagem à China, em busca de parcerias para a cidade. Já o vice-prefeito, Bruno Covas (PSDB) está afastado por motivos pessoais.

 “Acho muito grave que a Câmara não tome uma decisão. Que seja para aprovar ou não [a denúncia]. Isso é uma decisão de cada deputado. O que a gente não pode é deixar o paciente em centro cirúrgico, com a barriga aberta”, acrescentou o presidente da Casa.

Maia disse ainda que um possivel adiamento paralisaria a pauta do Congresso Nacional. "A melhor solução para o Brasil é que a denúncia seja votada na quarta", completou. 

Reformas e meta fiscal
Maia afirmou ainda que o Congresso pretende retomar as votações das reformas assim que for encerrada a votação da denúncia contra Temer.

“Tenho muita esperança e vou trabalhar fortemente para que a gente possa votar a reforma da Previdência porque entendo que o Brasil tem problemas graves a médio e longo prazo, problemas estruturais que precisam ser resolvidos", disse.

Segundo Maia, a reforma da Previdência é vendida como algo que vai tirar direitos dos mais pobres, "mas é exatamente o contrário". "O déficit da Previdência é que tira direitos dos mais pobres e privilegia poucos”, disse. Outra votação que ele destacou como importante é a reforma para simplificar o sistema tributário.
Apesar de ter reafirmado seu apoio à política econômica do governo federal, Maia criticou a possibilidade de revisão da meta fiscal já estabelecida pelo governo. Ele defende que a meta “fique onde está”.

“Não devemos, nem podemos, sem motivo, mexer na meta fiscal que foi apresentada no início do ano. Temos um rombo fiscal gravíssimo no Brasil e precisamos votar a denúncia [contra Temer] para que possamos voltar ao tema das reformas, porque com elas vamos conseguir superar esse déficit fiscal”.
* Com informações da Agência Brasil.
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