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28 de fevereiro de 2015

RETRATO FALADO – LALÁ DO CARTÓRIO

FRANCISCO EVILÁSIO ARAÚJO CARVALHO (foto), apelidado pela vã filosofia popular de “Lalá do Cartório”, nasceu em Massapê aos 12 de dezembro de 1944. O caçula de família tradicionalmente constituída de intelectuais, deixou duas irmãs setuagenárias: Dúnia e Maria de Jesus Carvalho, que exerceram, respectivamente, as profissões de professora pedagógica e de musica (acordeão e órgão); e na flor da idade, foram ativas voluntárias da igreja católica. Lalá do Cartório trabalhou por cinco anos na Coletoria Estadual (Fazenda Pública) e, em seguida, ingressou no setor cartorial, exercendo a posição de notário público – tabelião do Cartório do 1º Ofício de Massapê, por 45 longos anos, com zelo e dedicação exclusiva, daí a justificada alcunha. No início da década de 1960 dedicou-se à performance do próprio corpo e formou um trio de alterofilistas, juntamente com os amigos de tenra infância, Kleber Pereira e Antonio Pinto – O Tarzan de Massapê. Seu hobby era colecionar obras de arte, desde a arqueológica (machadinhas rupestres feitas de pedra) à contemporânea. Além de pesquisador, documentarista e historiador, foi escritor, com livros não publicados, bem como, uma esplêndida obra inacabada (em dois volumes), que trata da genealogia das tradicionais famílias massapeenses, intitulada “A Família Massapeense – Árvores Genealógicas”. Contido, ele não demonstrava ser o que realmente era. Deixou prole com 16 filhos bem sucedidos nas mais diversas áreas, frutos de dois matrimônios conjugais (Lourdinha  e Toinha). Sâmia, filha do segundo laço conjugal assume com igual competência, a herança cívica paterna. Junte-se a tudo isso, seu primeiro casamento foi constituído de família também tradicional, com nobres intelectuais sobressaltados nas artes, na cultura, na política, no comércio, na literatura, na justiça, na radiofonia, na medicina, na segurança, na educação, na dramaturgia, no teatro e na TV. No exercício da nobilíssima profissão, que abraçou com afinco e determinação, fatigado de registrar um sem número de nomes comuns bíblicos das pessoas civis naturais, exemplos: José, Pedro, João, Raimundo, etc., Lalá, numa extraordinária inversão da ordem natural das coisas, não hesitou em homenagear filhos com nomes incomuns, tais como: Salvandy, Tremal Nik, Sayonara e Brend Loma. Acometido pela vez segunda de acidente vascular cerebral, Lalá do Cartório faleceu aos setenta anos, dia 22 de fevereiro de 2015. Nossa centenária e histórica cidade, sem sombra de dúvidas perde um dos ícones representativos da sua identidade cultural material, portanto, restando mais pobre. Sua última lembrança que carrego, foi em visita informal juntamente com outro expoente da nossa cultura regional, o amigo em comum Chico da Santa, há aproximadamente um mês, ocasião que Lalá declamou impressionante poema lírico e trágico, do poeta massapeense Chico Frederico (falecido no embrião da década de 1970), que tratava, por ironia do destino, da morte. Da morte bandida, da amiga morte; da morte maldita, da bendita morte. Fiquei de retornar brevemente para registrar em vídeo, mas infelizmente, a morte não dá trégua. Além de pai dedicado e extremoso, vivendo para sua atual esposa, filhos e netos, a quem legou os mais nobres sentimentos de honradez e amor ao trabalho, a família, amigos e o povo massapeense rendem-lhe homenagens sincera e espontânea por ocasião da celebração de missa do 7º dia do seu passamento eterno, na igreja matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, dia 28 de fevereiro de 2015.

Ferreirinha é historiador e presidente da Associação de Desenvolvimento Cultural de Massapê Expedito Galinha D’água – nome fantasia Chitão dos Pobres de Massapê – fundação de fato em julho de 1948, e de direito em 20/10/2010, sob o CNPJ n. 21.833.573/0001-85.
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