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16 de dezembro de 2014

AÇUDE ALVORADA

Açude Alvorada (ao fundo balneário do mesmo nome)
Do crepúsculo matutino, da claridade que precede ao romper do sol, da arraiada, da esperança de um novo dia, “Alvorada” leva o nome do pequeno, mas abençoado açude, localizado na zona leste da região urbana de Massapê, abastecido pelo rio Contendas. De família altruística, ao longo de cinco gerações, os Albuquerque de Massapê, na política, têm a satisfação de bem servir ao povo, notadamente os cidadãos simples e humildes, desprovidos de bens materiais. E o então prefeito eleito Francisco Chagas Albuquerque (1959/1963), avô do atual prefeito de Massapê Antonio José Albuquerque (2013/2016), sensibilizado com o sofrimento da sua gente, no convívio pacífico com as históricas estiagens que sempre assolaram o nordeste brasileiro, especificamente o Ceará, não fugindo à regra, imbuído de profundo sentimento de justiça social, foi feliz ao construir o açude Alvorada logo no início do seu mandato. Era uma questão de honra. Naquela ocasião, os massapeenses ainda sofriam as drásticas conseqüências da famigerada seca de 58, que deixou um rastro de miséria e destruição, comprometendo a vida e o bem-estar do agricultor que sobrevive da aragem e cultivo da terra, plantando culturas de subsistências (milho, mandioca, feijão, jerimum e melancia), bem como, a nossa rica fauna silvestre. As pessoas dependiam de esmolas dos governos Estadual e Federal, que, via de regra, não eram constantes e habituais, por isso, muita gente passou fome. Muita fome. O urubu – considerado o lixeiro da caatinga nordestina viveu momentos de glória, se alimentando das carniças dos animais do porte físico da raposa pra cima, desprezando os de pequeno porte, tais como, passarinhos, rabudos, preás, mocós, tejos e camaleões. Filas indianas eram comuns nas cacimbas profundas do leito vazio do rio Contendas a qualquer hora do dia ou da noite, bem como, no Salgadinho (açude Acaraú-Mirim), em busca do precioso líquido. Famoso por promover visitas domiciliares, para sentir na própria pele o sofrimento do seu querido povo, o caridoso prefeito “Chico Albuquerque”, como assim popularmente era e ainda é conhecido, em uma das suas habituais diligências, sentiu-se comovido com a situação triste e caótica por que passava uma miserável família, abrigada sob o teto de palha de uma casinha de taipa com piso de terra batida, mobiliada de pote, caneco, algumas redes com fundos remendados à agulha de mão, panela de barro, fogão a lenha, vassoura, foice, enxada, anzol, lamparina, tamborete, trouxa de roupa, baladeira, na sala pôster de São José (o santo padroeiro do Ceará), e no terreiro, um esquelético cachorro vira-lata que para latir, coitado, era um Deus o acuda. Ia me esquecendo de um sobrevivente solitário inerte na frieza do pé do pote – o cururu. A prole, constituída de marido e mulher, mais uma penca de filhos, todos subnutridos, vivia alimentada mais pela fé inabalável em Deus, que pelo pão nosso de cada dia. Era de dar dó, e esse sentimento de compaixão o prefeito absorvia, face à sua sensibilidade humanística e profunda formação católica, partindo do princípio bíblico de: “amai ao próximo como a ti mesmo”.  O almoço, quando tinha, era a base de uma mão cheia de farinha de mandioca com um pedaço de toucinho rançoso, temperado propositalmente com excesso de sal, para proporcionar demasiada sede; e só assim, encher a pança de água fria do pote, para ter a falsa sensação do estômago cheio. Foi inspirado em situações infelizes como essa, indigna do ser humano, que o franciscano prefeito Chico Albuquerque, abençoado por Deus até nos sobrenomes bíblicos “Francisco” e “Chagas”, decidiu construir o açude, inclusive, com parte dos recursos advindos do seu próprio bolso, batizando-o de Alvorada, na esperança de proporcionar dias melhores para os atuais e futuros moradores da zona urbana, colhendo bons frutos, que, apesar da poluição, até os dias atuais ainda colhem: peixes em fartura, caça de patos e marrecos selvagens, vazantes, entretenimento, banho de humanos e animais, piquenique, lavagem de roupas e automóveis, balneário, belas praias na sangria, sem falar no espelho d’água que propicia uma atmosfera mais amena para os moradores da nossa tórrida cidade de clima tropical.

Do livro: Estórias & Casos com Causos & Histórias de Massapê – autor: Ferreirinha de Massapê.
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