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14 de julho de 2014

POR E-MAIL: MASSAPÊ – A TERRA DO CHITÃO

Dias 10, 11 e 12 de julho de 2014 a Prefeitura Municipal de Massapê com o apoio da Secretaria de Cultura, Juventude, Desporto e Lazer, promoveu mais um “Chitão de Rua”, considerado o maior da nossa região. No “Portal do Forró” o trio pé-de-serra com o bizarro nome de “Forró Chapéu de Rola” maestrado pelo sanfoneiro Deca Juvêncio, dava as boas-vindas aos brincantes, a partir da reprodução de uma “Sala de Reboco”, com piso de terra batida, lampião a gás e um casal de noivos abençoado por Santo Antonio – o santo casamenteiro, segundo a tradição religiosa. Na quinta-feira o prefeito Antonio José fez a abertura oficial do histórico Chitão de Massapê, que completou 81 anos de tradição. O Festival de Quadrilhas foi um espetáculo à parte, dando um brilho todo especial e encantando o público presente no “Terreiro da Fazenda”, montado a partir de uma arena com arquibancadas laterais e palco. A principal atração foi a maior banda de forró da atualidade - Aviões do Forró, que na sexta-feira arrebatou uma multidão de forrozeiros sem precedentes em nossa cidade. Registros dão conta de um público de cerca de vinte mil pessoas somente naquela festiva noite. O evento, diga-se de passagem, transcorreu na mais perfeita harmonia, sem graves incidentes. Massapê recebeu de braços abertos, milhares de visitantes vindos das cidades circunvizinhas. Eram jovens de todas as idades que, com o ar de graça, passaram pelo “Corredor do Forró”, esbanjando beleza e simpatia. Aliás, o Corredor do Forró literalmente parecia uma passarela com desfile de moda e muita mulher bonita. Mulheres altas e baixas; mulheres loiras e morenas; mulheres magras e gordas... Simplesmente mulheres. Mulheres para todos os olhares. 
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Quanto aos homens, plagio famoso cantor que no refrão de um dos seus sucessos categoricamente frizava “É120 saia pra 40 paletó, isto é que é forró, isto é que é forró”, já dizia Elino Julião (de saudosa memória). O cognome “A Terra do Chitão” teve origem com o paroara Pergentino Aguiar que retornou de Belém do Pará no início do século XX, bem afortunado, e construiu uma vila de casarões, localizada atualmente no quadrilátero que abriga o Educandário Nossa Senhora do Carmo até a Casa da Cultura – Ponto de Cultura. E, em um dos seus solares construído em 1911, que atualmente sedia a Biblioteca Municipal, foi fundado em 1912 o Clube Iracema, que durante 30 anos (1912 a 1946) realizava animadas festas dançantes e grandes banquetes em homenagem aos sócios e seletos visitantes ilustres, muito contribuindo para uma segregação sócio-econômica e racial. Em 1947 com a desativação do Clube Ircema – único local de entretenimento e lazer da elite dominante (brancos e ricos), e palco das grandes festas de chitão, dando continuidade, foi fundado o Centro Social Massapense, que também sugeria glamour, sofisticação e badalação, ou seja, substantivos que denotavam status social elevado, que só a elite podia ostentar. O mencionado clube fundado dia 15 de dezembro de 1960 e instalado em 21 de janeiro de 1962, já tinha suas origens bem antes deste período, pois, é, na verdade, uma continuação do antigo Clube Iracema. Foi nele que se deu a realização do primeiro chitão de Massapê. Ressalte-se que Massapê foi a primeira cidade do nordeste a fazer este tipo de festa, Osvaldo Aguiar em seu livro “Massape em Foco” afirma que o chitão foi criado no Pará. Segundo ele, "essa festa, apesar de tradicional, não é originária de Massapê, como erroneamente se pensa. Serviu-lhe de modelo, festa idêntica, efetuada no ano de 1930, nos salões de elegante clube da metrópole paraense”.

Em 2011 o clube realizou a sua 78ª edição do tradicional “Chitão de Salão”. O dinheiro trazido pelo pai de Osvaldo Aguiar, o seringalista Pergentino Aguiar, que retornou da expedição de extração da matéria-prima no segundo ciclo da borracha na Amazônia, movimentou também, de forma bastante intensa, a balança comercial do nosso município, tanto é que, na época, foram erguidos muitos edifícios com o que havia de mais luxuoso. Boa parte dessas edificações, algumas, inclusive, em estilo colonial, fruto da riqueza dos Paroaras, ainda resiste ao tempo, mesmo que de forma precária. Concomitantemente, em 1948 Expedito Ferreira (*22/12/1922 +01/07/2008), pai do Ferreirinha, fundou o “Chitão dos Pobres de Massapê”, partindo do princípio de que já existia o “Chitão dos Ricos”, é essa a origem do pejorativo nome. Adotado desde 2013 pela Prefeitura de Massapê, dia 05 de julho de 2014, transcorreu a 66ª edição do Chitão dos Pobres, ininterrupta (herança cultural herdada de pai para filho). E, diante de um minguado público, o Chitão dos Pobres arrecadou quase 300 quilos de alimentos não perecíveis, que serão convertidos em cestas básicas e doados às famílias carentes. Não arrecadou mais, visto que, por volta de 01h da madrugada esgotou o produto alimentício no posto de venda montado estrategicamente no local do evento. A exemplo do Chitão dos Pobres, que tal cobrar 2 quilos de alimentos nos três dias do tradicional Chitão de Massapê? Em prol de uma causa justa, nobre e humanitária, toneladas de alimentos seriam arrecadadas e muitas famílias carentes beneficiadas. Dia 25 de abril de 1948, foi fundado o Clube Social e Artístico dos Operários de Massapê, tendo como primeiro presidente Assis Joalheiro (avô materno do Ferreirinha), que, como o próprio o nome diz, destinava-se à classe operária. No embrião do século XXI os gestores públicos massapeenses criaram o “Chitão de Rua” com infraestrutura de palco, som, iluminação e atrações artísticas. Parabéns ao prefeito Antonio José, que, não mediu esforços e, numa demonstração jamais vista de comprometimento com esta manifestação popular cultural, realizou com sucesso absoluto, mais uma edição histórica do Chitão de Massapê. Pena que no repertório se ouviu muito pouco o autêntico forró que caracteriza o tradicional Chitão. Fazer o quê? Tradição não morre, se renova. São por esses motivos que Massapê é conhecida por “A Terra do Chitão”.
Ferreirinha é historiador e assessor técnico da secretaria de Cultura, Juventude, Desporto e Lazer de Massapê.
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