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12 de abril de 2014

VIA E-MAIL AO SITE: "MASSAPÊ 40 GRAUS"

Na vitoriosa e esplêndida campanha eleitoral de 1988 para prefeito de Massapê, com parcos recursos financeiros, Jacques Albuquerque esbanjava impressionante vigor físico e bastante entusiasmo. E haja fôlego. É que o líder político massapeense, quiçá, no intuito de pagar promessa religiosa, haja vista, de profunda formação católica, pois que, dizem à boca miúda que o homem já releu a Bíblia Sagrada por várias vezes; ou ainda, para testar a fidelidade do seu fanático eleitorado, promovia passeatas em ritmo acelerado (pasmem!) ao meio dia – horário um tanto quanto não conveniente, notadamente para os eleitores idosos. A cidade efervescia como um caldeirão em ebulição. Vistas do alto, as ruas de Massapê, mais pareciam copas das frondosas árvores de uma floresta tropical, povoada por um bando de passarinhos, pedigree Cabeça-de-Fita – ave símbolo e mascote oficial da campanha eleitoral oposicionista. E, diante daquele sol causticante e temperatura elevada beirando os 40º, a histórica passeata seguia adiante, com a Comissão de Frente se fazendo representar pela ala da Velha Guarda – fiel escudeira do carismático político, composta por eternos “cabos eleitorais” dentre os quais: De Assis Machado, Dedé Pompilho, Zé Pinto, Lau, Gerardo Gatim, Negão Clementino, Chico da Santa, etc., todos capitaneados pelo coordenador político da campanha e homem de extrema confiança, o então vereador José Mendes Sobrinho, popular Zé Leão (1974/1976 e 1982/1988). Percorrida a metade do percurso estabelecido, Jaques Albuquerque, como um bom pastor (antevendo uma passagem bíblica), sentiu falta de uma das suas ovelhas, aquela ovelha desgarrada, que ficou para trás. Era o seu amigo Zé Leão, de avantajado porte físico (por amar demasiadamente a boa mesa), que, com problema de pressão arterial, diante daquele calor infernal passou por mal súbito e não agüentou o exaustivo pique. Então, sob as ordens do ilustre e respeitado comandante, a passeata foi paralisada por alguns minutos, e um silêncio absoluto pairou no ar. Eis, a seguir, o teor do assunto, vazado nos seguintes termos:

- !!!... O que foi que aconteceu, ??? – indagou Jacques Albuquerque.
- Num foi... nada... não, Jacques – respondeu com a voz embargada, Zé Leão, que, àquela altura recebia apoio dos demais companheiros, sendo socorrido com abanos improvisados, inclusive, providenciado um copo com água. E, minutos após, restabelecido do baita susto, Jacques Albuquerque tentou jogar um balde de água fria, como injeção de ânimo, naquele pequeno incidente, provocando:
- Num seja frouxo, home!!! , ô Zé??? Tu és um leão ou uma gazela???
Foi a gota d’água – o suficiente para o nosso saudoso Zé Leão (*13.11.1935  +14.01.2011), numa demonstração jamais vista de cumplicidade e fidelidade canina, honrar o próprio nome, que, regredindo aos instintos mais primitivos da natureza humana, como um animal acuado defendendo e demarcando seu território, imitando o felino conhecido como o “Rei da Selva”, bateu com as patas, ou melhor, com os pés no chão, ciscou, levantou poeira, estufou o peito, empinou a juba, ou melhor, o nariz, respirou fundo, urrou que nem o feroz animal e saiu em disparada carreira. Pega e não pega, pega e não pega, pega e não pega. Como que pega?     
Do livro: Histórias & Causos com Casos & Estórias de Massapê - Autor: Ferreirinha.
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Um comentário:

  1. FERREIRINHA, VOCÊ É UM GRANDE CONSAGRADO EM RELATAR HISTÓRIAS DA NOSSA HISTÓRIA. O BLOG DO ALDENIS FERNANDES ALÉM DE SER MUITO BOM MESMO, GANHOU MAIS NOTORIEDADE COM AS SUAS CRÔNICAS.
    PARABÉNS!

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