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23 de janeiro de 2014

1º ARTIGO: "AS REDES SOCIAIS SÃO A ÁGORA DOS TEMPOS MODERNOS"

Em Atenas e nas outras cidades (pólis) democráticas da Grécia, o povo exercia o poder diretamente na praça pública, denominada Ágora.  As reuniões ocorriam na Ágora e os cidadãos podiam decidir sobre temas ligados a justiça, obras públicas, leis, cultura e outros. Os gregos discutiam os seus problemas e buscavam a solução através do voto direto. Não havia assembleia representativa: era dessa forma a democracia grega, embrião da democracia ocidental.

Da Grécia antiga aos tempos modernos, a população mundial cresceu exponencialmente, impossibilitando assim a consulta a todos na praça pública como antes. Nesse passo histórico, surgiu a democracia representativa e a semidireta como forma de expressar a vontade popular, enquanto isso a democracia direta aparentemente sucumbia.

No entanto, na última década, graças à popularização da internet e a emersão das redes sociais, a dita democracia direta parece ressurgir tal como a mitológica fênix. O tablet, o notebook e o iphone avançam mortalmente sobre o rádio de pilha, que tão facilmente era controlado pelas máquinas político-partidárias.

Em todo o planeta, o poder em sentido lato está em transformação. Não se questiona serem as redes virtuais o combustível para esse fenômeno, cuja Primavera Árabe tornou-se o símbolo maior. Nessa trilha, até o gigante dorminhoco Brasil já ensaiou a sua primavera com as manifestações populares de junho de 2013 que devem se repetir durante a Copa do Mundo.

Durante muito tempo, houve quem acreditasse ser o universo cibernético, apenas, sinônimo de isolamento. Crença essa que não há mais razão de existir. Com a disseminação das redes sociais, há a compreensão de que as mesmas contribuem para aumentar a mobilização das pessoas com o intuito de reivindicar o cumprimento das obrigações estatais. Nesse tom, é cada vez mais comum o uso de páginas como o Facebook para exigir transparência do poder público, fazer manifestações políticas e cobrar postura ética dos mandatários eleitos. Aqui não há censura, não há fronteiras. Há manifestação e mobilização.

No mundo virtual e real, o vínculo humano tem cada vez mais força política. Os cidadãos ocupam os espaços públicos com suas reivindicações e protestos. Assim, que não se duvide estar de volta a democracia direta grega cuja ágora, em sua feição moderna, é sem dúvida as redes sociais.
João Tomaz Neto
Professor e Advogado
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