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29 de setembro de 2012

O CARÃO QUER CARNE

Considerado um dos prefeitos mais populares de Massapê, João Alberto Siqueira Campos (*08.10.1931 +20.10.1986) – conhecido por Beto Lira, exerceu dois mandatos: 1964/1967 e 1977/1982. Sua popularidade extrapolava limites. Com todo o respeito, ele fazia da Praça da Matriz, a prefeitura; do banco da praça, o gabinete e do seu colo, o birô. O político, no período matutino, despachava diretamente do banquinho da praça Coronel João Pontes, à sombra de uma frondosa castanholeira, defronte ao mercado público. Ali, era o seu gabinete improvisado, em contato direto com o povo, dispensando o conforto da sala com ar condicionado do Paço Municipal. Extrovertido e brincalhão, eram qualidades e virtudes inerentes à sua pessoa. Na vigência do seu segundo mandato, Beto Lira construiu um enorme viveiro (5m X 10m), em um dos canteiros da referida praça, com capacidade para abrigar dezenas de pássaros silvestres que compõe o cenário da nossa rica fauna do semiárido nordestino. Cão Grande (de saudosa memória), era o funcionário responsável pela manutenção do viveiro, efetuando a limpeza e alimentando os pássaros com água fresca e bastante frutas coloridas. Um certo dia, em plena quadra invernosa, Cão Grande aparece com um enorme Carão – pássaro de médio porte, carnívoro, que se alimenta de pequenos peixes, insetos e principalmente buzos (nome popular de um molusco protegido por uma concha). Durante o inverno, até que foi fácil alimentar o esfomeado animal, pois, bastava Cão Grande dar um pulinho até o nosso rio Contendas, que trazia generosa quantidade do crustáceo. Entretanto, com a chegada do verão, sumiu o alimento predileto do Carão. Foi quando Cão Grande apelou para o prefeito comprar carne vermelha. E assim foi feito. De dois em dois dias, Beto Lira entregava ao Cão Grande, o dinheiro correspondente para compra de ½ kg de carne de terceira. Cerca de três semanas após, Cão Grande solicitou do prefeito, justa reivindicação do animal, que queria porque queria, só comer carne de primeira. O prefeito prontamente atendeu o pedido, e mais ainda: autorizou a compra da carne na banca de conhecido magarefe, Messias Trajano, que no final do mês recebia o dinheiro. Quando do pagamento da carne fornecida ao Carão no segundo mês, o prefeito se assustou com o valor, que foi o dobro do primeiro. Indagado, o conceituado açougueiro se justificou, dizendo que Cão Grande passava na sua banca todo santo dia para levar ½ kg de carne de primeira. Não deu outra. Imediatamente o prefeito cancelou o fornecimento a prazo do alimento e voltou a pagar à vista. O funcionário, que foi advertido, tentou se justificar, alegando que Carão estava em fase de crescimento, portanto, demandava mais e mais proteínas, além da dieta balanceada dos carboidratos. O político, que não era bobo, abriu uma espécie de sindicância. Incumbiu outro funcionário da prefeitura – o Oscar Leruá do Maneiro-Pau, que era o jardineiro responsável pela arborização da praça. Durante três dias, Oscar seguiu os passos do Cão Grande, que todo dia comprava a carne, entrava no viveiro e disfarçadamente alimentava o Carão com dois, três miúdos pedaços, (do tamanho de uma azeitona), deixando o coitadinho do animal só na vontade, com água na boca. Depois, pegava sua bicicleta e levava a carne para ser preparada na sua residência e servida logo mais no almoço. Enfim, a farsa foi descoberta. No quarto dia, muito cedo, como de costume Cão Grande se dirige ao prefeito:

- Seu Beto, o Carão quer comer carne!
- Cão Grande, a partir de hoje, o Carão vai comer carne, mas só se for a carne do teu fiofó.
Ferreirinha agosto (de carne de primeira), 2011.
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Um comentário:

  1. ALDENIS O SEU BLOG É SUCESSO ABSOLUTO E COM AS CRÔNICAS INTELIGENTE DO NOSSO AMIGO FERREIRINHA FICOU MAIS IMPORTANTE AINDA.

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