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21 de setembro de 2012

FIDELIDADE CANINA

José Maria Gonzaga Linhares, vulgo Jacarú, funcionário público municipal aposentado, por três décadas (60, 70 e 80) prestou zelosos serviços na limpeza pública de Massapê. Certa vez, no exercício das suas atividades profissionais, Jacarú foi abordado por um cidadão que a ele se dirigiu: - Ô lixeiro! Lixeiro!. O homem ficou bravo, e com o dedo em riste, revidou: - Me respeita, eu sou um gari. Lixeiro é o senhor que fabrica lixo. Pois bem. Francisco Lopes de Aguiar Neto – o “coronel” Chico Lopes, patente genérica concedida pela vã filosofia popular, trabalhava a todo vapor na sua campanha política para ocupar a cadeira número 1 do executivo municipal pela segunda vez (1973 a 1976). O político, que também tinha a alcunha de “O Pai da Pobreza”, estava acompanhado de um cientista político, representante de um instituto de pesquisa, e quis provar para este, o seu carisma e força política junto aos seus concidadãos. Chico Lopes alegava, naquele momento, que pesquisa melhor que a feita por ele próprio, não existe. O gari, que por ali varria as ruas, foi interpelado pelo então candidato a prefeito:

- Jacarú! Vem aqui!
- Sim senhor, meu coroné – o gari se aproximou, fazendo reverência com o humilde gesto de tirar o chapéu da cabeça.
- Falta exatamente um mês para as eleições. Tu vai votar pra quem, Jacarú?
- Mas é claro que é para o senhor.
- Eu vou lhe dar uma surra com cipó dormido de tamarineira!!!
- Faça isso não, coroné...
- Eu faço!
- Faça não...
- Jacarú, tu duvida?
- Duvido não, coroné. Pois faça!
- Eu vou fazer. Mas antes me responda com toda sinceridade. No dia da eleição tu vai votar mesmo pra quem???
- Eu já disse. Vou votar no meu coroné.
- Mas eu vou lhe dar uma surra com cipó dormido de tamarineira!!!
- Não tem problema. O meu voto é do senhor.
- Mesmo eu lhe dando uma surra com cipó dormido de tamarineira???
- O senhor pode dar é dez, mas o meu voto é do coroné. 
O cientista político, deveras, impressionado diante daquela cena um tanto quanto inusitada, reconheceu que pesquisa melhor que aquela não haveria de ter, e voltou para a capital cearense com um exemplo de prova de fidelidade canina. Pena que não presenciou outra cena mais inusitada ainda: no dia seguinte, o gari Jacarú, ao invés de portar seu instrumento de ofício (a vassoura), andava pelas ruas de Massapê à procura do seu candidato a prefeito, com um cipó dormido de tamarineira, providenciado por ele próprio.
Governador César Cals ciceroneado por Chico Lopes
 Do livro: Estórias & Casos com Causos & Histórias de Massapê – autor: Ferreirinha.
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