13 de julho de 2011

APÓS PUBLICAÇÃO SOBRE O CHITÃO DOS POBRES, BLOG RECEBE CRÔNICA, VIA E-MAIL, DO PROTAGONISTA DA FESTA. EI-LA NA ÍNTEGRA

ADEUS, CHITÕES DE SALÕES...
Até meados da década oitenta os Carnavais de Salão predominavam nos dois clubes de Massapê (o Centro Social Massapeense e o Clube Social e Artístico dos Operários de Massapê, inaugurado em 25 de abril de 1948), não diferentemente das demais cidades do interior do Ceará, que comemoravam o período carnavalesco nos tradicionais bailes, com suas fantasias e adereços. Foliões se divertiam movidos a álcool, regados com muita Maisena, e aqueles mais afoitos, sob o efeito do Lança-perfume – um produto importado com venda proibida no Brasil. Os clubes chegavam a esgotar sua capacidade máxima, de tantos os foliões, que dançavam e pulavam ao som das bandas que entoavam músicas tradicionalmente carnavalescas. Para ilustrar: Mamãe eu Quero, Abre Alas e A Jardineira. Nas vias públicas de Massapê o que se via eram componentes de um ou outro bloco (exemplo, Os Alegres), à paisana, misturados com demais foliões anônimos, que se concentravam à tardinha no centro da cidade, mais precisamente no bar do Zé Canuto e na Confeitaria Pérola de propriedade de Antoni Frota (depois Zé do Bar), como se fosse uma espécie de concentração, para logo mais a noite participarem do grande baile à caráter e rigor. Outros foliões desfilavam elegantemente em carro aberto, mais precisamente na enorme carroceria do FMN verde, de propriedade dos Machados, percorrendo, sempre ao final do crepúsculo, as vias públicas do centro e dos bairros também, como se fosse uma preliminar para o esperado baile logo mais a noite. Eram quatro dias de carnaval. Muito carnaval. Carnaval para adultos e para as crianças também. O tempo foi passando e os Carnavais de Salão também, dando espaço ao Carnaval de Rua, via de regra patrocinado pelo Poder Público, com um repertório avesso ao de outrora, sem as tradicionais bandas e suas modinhas, que foram substituídas pelo axé, Afoxé e Trios Elétricos, selecionados e impostos pela grande e interesseira mídia nacional. O prezado leitor internauta deve nesse exato momento, achar estranho e incompatível o título dessa crônica com o seu conteúdo, afinal, até agora estamos falando de carnaval, conquanto, deveríamos tratar de Chitão. Explico: haveremos de concordar em gênero, grau e número com esse processo de transformação, ou seja, a extinção do Carnaval de Salão, dando espaço para o Carnaval de Rua, servindo de paradigma no mesmo mérito da questão, com relação ao Chitão de Salão. Num futuro breve, e este processo de transformação já está ocorrendo, o Chitão de Salão está sendo substituído pelo o Chitão de Rua, sem o repertório de outrora, exemplos, o Baião, o Xaxado, e a Quadrilha na Roça com O casamento de Matuto, substituído por uma variação moderna do forró – o Forró Eletrônico, muitas vezes com duplo sentido, quando não, com repertório regravado de outros ritmos, deturpando, de tal forma, a nossa Cultura Popular Nordestina conquistada há décadas, notadamente o autêntico Forró Pé-de-Serra. E o Chitão do Centro Social Massapeense (78 anos de tradição), bem como, o Chitão dos Pobres de Massapê (63 anos de tradição), infelizmente estão com os seus dias contados. Prova é, o fracasso de público dessas duas tradicionais festas nas suas recentes edições.
O forrozeiro órfão Ferreirinha, agosto (amargo de Chitão de Salão), 2010.
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